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Paulo Setúbal

Procuro um 30677

Como conheceu Charles de Foucauld? Conheci-o quando entrei para um bairro de lata. Sim, na mesma zona para onde viemos depois viver. Descobri que tinha jeito para o trabalho manual E porque é que abdicou do seu percurso e estudos superiores para fazer esses trabalhos? Graças a Charles de Foucauld. Primeiro, foi graças a Jesus de Nazaré, que viveu 30 anos como a pessoa mais discreta e integrada numa aldeia da periferia e religiosamente nada exemplar, comparada com a Jerusalém ortodoxa e cumpridora. Em Nazaré, havia uma mistura de religiões, era uma terra de segunda ou terceira categoria.

Mas deixai também, meus Senhores, nesta linda hora risonha, em que as emoções mais íntimas se atropelam dentro de mim, deixai que, mal acabe de vos agradecer, eu me ausente precipitado destas galas. Tantaene animis celestibus irae? Por quê? As clareiras, com a queda dos robles, iam-se abrindo largas, brutais, naqueles cumes onde, exatamente, era restante robusta, mais seivosa, mais atrevida, a selva do pensamento brasileiro. E rolou por terra o gigante. Jamais, senhores Acadêmicos, o conceito do poeta teve enquadramento mais ajustado do que neste momento.

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Todos emudecem, comovidos. Adauto Pereira, com esforço, levantou-se da cama e escreveu uma carta a Paulo. Uma singela homenagem e a certeza de que lera o discurso. Achara justa a vitória. Dias depois, uma carta resposta veio. As palavras, foram as grandes palavras, aquelas que, representando um passado, constituem, por todos os motivos, um grande presente. É o suficiente para o professor de que o aprendiz é o desdobramento, o eficácia, a resultante. Por meio de suas obras, o leitor pode, aos poucos, ir desvendando as teias da história do Brasil e também da vida do autor.

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